quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

'Porque eu sei que é amor'


Existe mais que um laço de fita ou de ouro naquele casal louco e amado. As alianças vão além do elo físico, são muito mais que gramas e mais gramas de puro metal nobre, há nobreza nos gestos e nos olhares, bem mais do que em quilates do mais puro diamante.
Eu vejo afeto, açúcar e afeto. Nos olhos de Eduardo, no sorriso de Pollyanna. Nos aperreios de Pollyanna, nas correrias de Eduardo; na sutileza em que as mãos se enlaçam e se pegam, na doçura das mãos unidas, tão próximas que parecem duas ao invés de quadro: dois pares de mãos unindo-se e formando uma vida, uma estrada.
E que seja um caminho florido, brando, e branco como as rosas que enfeitavam a igreja e que a noiva segurava, e que tenha esperança, fé e força para o amor florir. Que seja sutil como o brilho do ouro e robusto como as alianças que marido e mulher evidenciam em seus dedos. Que haja paz, e que quando a guerra for inevitável, que exista a reconciliação. Que sejam felizes e que se amem como demonstraram aos meus olhos em uma das cerimônias mais bonitas que tive o prazer de presenciar.

domingo, 22 de janeiro de 2012

- Colorear.

Como se prende alguém sem correntes e sem amarras ? Sem laços efetivos e sem afagos ?
Como se enlaça sentimentos sem corpos e sem taras ? Sem fitas visíveis e sem contato ?

Existem idéias amanhecentes na cabeça da menina. Sóis nascentes de sinapses incrivelmente rápidas. Lapsos. Amarelos alaranjados gritantes de calor e fervura, raios acalentadores e um intenso e pertinente sono matinal.
Não havia dormido naquela madrugada, a Lua roubara-a de si e devolvera apenas inúmeros pensares tolos e tortos, mas não a menina-essência, não aquela captável somente pelo pensamento, não o cheiro, o aroma, o olor.
Movia-se sinuosamente pelos lençóis estampados e inquietantes, conseguia sentir-se parte daquelas tramas de algodão-suor, mas não concentrava-se em nada fixo, senão nas interrogações dançantes coloridamente irritantes.


' You keep me without chains. '

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Azuis e roxos.

A menina pensava incessantemente em como seria um amor 'entre o passado e o destino'.
Em como seria aquele amor pretérito destinado a perpetuar, a perdurar - já que fazia parte da sequência de atos supostamente fatais que desarrolham a vida, que retiram a rolha do vinho vida, do vinho caminho.
E pensava, deleitava-se com as idéias mais tolas e infantis de atemporalidade, de falta de nexo espacial. Desconstruía cores e sabores de diversos amores e amantes, e se divertia frivolamente com todos aqueles agridoces azuis e roxos.
Esvaia-se, desfazia-se, exaltava seu total hedonismo interior , e gozava: de prazeres e incomuns e inconstantes.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

'Pra você correr "mansinho"'

É, realmente o tempo é mestre de muitas circunstâncias, ao longo dele aprendemos a nos adaptar, a acostumarmos-nos até com as mais doridas experiências. Com o tempo passamos a sentir menos dor com as longas distâncias e os afastamentos, com os corações dilacerados por flechas venenonas e vís, com presenças cada dia mais ausentes, com a falta da ausência consentida, com as dores nos joelhos mortos e nos corações tortos. Ah! O tempo! Nos rouba momentos e nos devolve dores, dores que alegram as vezes, lágrimas que afagam e acalmam, mas não deixa de ser um grande ladrão, nos rouba a essência, a alma e a calma, nos rouba a paz, a inocência e a crença.


'Tempo, tempo, mano velho, falta um tanto ainda, eu sei, pra você correr macio'

sábado, 22 de maio de 2010

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Proponho-me a escrever assim, a lápis e sem nexo nem eixo, porque estou me passando a limpo e me perdendo nas linhas de uma agenda branca e guiada.
Proponho-me a chorar desmedidamente e tentar resurgir como uma fênix.
Proponho-me a destruir-me pouco a pouco e reconstruir uma posssível vida, ou desafiar o que morre em mim, e A MORTE DÓI, dói bem mais que a própria dor.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Tudo gira em torno dos olhos, de bola.

A saudade atormenta a cabeça da menina, pulsa como o ventre quando deseja o corpo dos olhos de bola.
A falta consome a menina,a toma por completo, como o frio toma o corpo quando não aquecido pelo calor dos braços dos olhos de bola.
A incompletude machuca a menina, lacera seu peito como as lágrimas que rasgam com força o seu rosto quando quando há impossibilidade de ver os olhos de bola.

domingo, 8 de novembro de 2009

Cálice

Foi tu que me trouxeste esse tão belo cálice
Que em momento nenhum eu pedi para ser afastado de mim

Não, eu não nego.
Eu me entrego e entregarei, se assim tu desejardes.

Eu serei tua, se os ventos deixarem,
Eu serei somente tua.